Mais uma, desta vez do Bob

6 Setembro 2008


Bauzinho – Uma canção de embalar

6 Setembro 2008


Vocações

4 Setembro 2008

Estive para dar um sub-título a este post mas ficava muito comprido, ficaria algo parecido com “Como dar cabo da saúde por se tentar ser algo que não se é”.

Este post vem a propósito de uma miúda que, sem eu conseguir explicar, me diz mais por não falar comigo do que se falasse. Cada vez que ela olha para mim está a dizer-me qualquer coisa que se tentar expressar por palavras não é a mesma coisa. Ora bem, esta miúda fez 18 anos e decidiu ir para direito. O direito consiste, segundo a minha experiência de vida, numa competição em que o objectivo é ganhar um conflito mesmo que não se tenha razão. Não é fazer justiça ou, dizendo de uma forma mais correcta, não é fazer justiça moral. Digo isto porque não tenho dúvidas de que algumas leis são feitas para servir propósitos individuais e não para serem justas.

Mas isto não é a razão deste post.

Voltando à vaca gorda, ou seja, ao assunto do post, estava a falar de uma miúda que decidiu ir para direito (explico tambem porque não uso maiúsculas para a palavra direito, acho que no estado em que ele está neste país não merece destaque) e que fez anos esta semana. Ao pensar nela, durante a festa, lembrei-me de duas pessoas que foram para direito e desenvolveram a sua profissão nessa coisa chamada justiça e até ocuparam cargos governamentais. Estas duas pessoas já morreram. Ambas tinham os mesmos problemas de saúde pelas mesmas razões. Uma foi o meu falecido sogro que conheci bastante bem e outra foi um Juiz que conheci mais ou menos de passagem, nunca tive uma grande intimidade com ele mas que fiquei a conhecer em variados jantares em que estivemos.

Estes dois senhores tinham uma sensibilidade fora do normal e sempre foram meus amigos (em maior e menor grau, conforme a intimidade que tive com cada um, mas amigos mesmo). A sensibilidade deles, independentemente da área onde a desenvolviam, era, a meu ver, completamente incompatível com aquilo que faziam nas suas profissões. Essa para mim foi a razão de terem dado cabo da própria saúde. Tenho de referir, também, que ambos me mereciam o respeito por variados motivos e tinham, os dois, um sentido de humor brilhante. Esta miúda ter ido para direito deixou-me algo preocupado pois não me parece que ela se aguente por lá pois também ela tem, segundo o que consegui perceber, uma sensibilidade fora do comum e uma intuição maior ainda. Sei que o direito, e não só, precisa de pessoas assim, verdadeiras e com sensibilidade para ver se a podridão que por lá grassa acabe mas sei também que quem o tentar fazer vai sofrer muito e vai-se sentir frustada por não conseguir mudar nada, só conseguirá deixar sementes que poderão ser ou não regadas por quem as seguir.

Aproveito para deixar aqui a minha homenagem a esses dois senhores e desejar que corra tudo bem a esta miúda.