No decorrer do Caminho aconteceram vários episódios no mínimo curiosos. Um deles passou-se em Léon. Estava desmoralizado devido a uma tendinite bastante dolorosa e apareceu-me um companheiro de Caminho que já não via desde Logroño. Estávamos no mesmo albergue, um convento de freiras de que não me recordo o nome. Fizemos uma grande festa como se fossemos amigos de longa data. Durante a conversa, sobre o nosso percurso de Logroño até Léon, ele contou-me um história que lhe tinha acontecido na primeira vez que tinha feito o Caminho Francês.
Nesse primeiro Caminho, conheceu um rapaz que apenas viu em duas ou três ocasiões. Essas ocasiões tinham sido em momentos em que ele se sentia bastante em baixo, com vontade de desistir devido a problemas vários. Esse rapaz conseguiu sempre animá-lo e fazer com que ele não desistisse.
Nesse momento, veio-me à memória os momentos em que tinha visto este companheiro. Em Logroño foi quando estava com uma tendinite no tendão de Aquiles e ele foi uma companhia bastante boa e que me animou a prosseguir, em Léon foi o mesmo.
Quando ele acabou a história, agradeci-lhe e disse-lhe que o estava a fazer porque ele estava a ser para mim o que o rapaz foi para ele. Ficou com um ar muito espantado mas depois de lhe explicar percebeu a razão e disse que era um dos milagres do Caminho.
Sei que provavelmente nunca mais o vou ver mas fica no meu coração como um amigo e um dos verdadeiros peregrinos do Caminho de Santiago.
Aproveito para contar também que, nestas duas localidades, conheci duas das pessoas que praticam o verdadeiro Cristianismo: o Padre da Igreja de Santiago Maior, em Logroño, e a Madre Superiora do convento de Léon. Ambos trabalham para ajudar os peregrinos sem esprarem nada em troca. Sabem que são pessoas que passam por ali e que, na maior parte dos casos, não vão voltar mas estão sempre prontos para ajudar e com um sorriso na cara que vale mais que muitas palavras.