Um pequeno conto

Olá, eu sou uma brisa.

Estou quase parada, o ar estagnou em mim.

Antigamente andava por aí, acariciava os cabelos das meninas, refrescava pessoas no pico do calor de um dia de Verão, fazia cantar os espanta-espíritos, fazia ondular os campos de cereais e muito mais.

Um dia, uma menina, por gostar muito das minha carícias no seu cabelo, quis que fosse só dela. Na minha inocência aceitei.

Como achou que involuntariamente poderia não ser só dela construiu paredes à minha volta para que não fosse fazer o que fazia antes. Ao ficar fechada, o ar que me constituia deixou de ser renovado. Ao longo dos tempos fui perdendo força e praticamente deixei de ser brisa o que motivou o desinteresse da menina. Deixei de lhe acariciar os cabelos. Mas as paredes ficaram. Foram caindo, com o tempo, mas continuaram a limitar o movimento do ar. Só quando caírem de vez é que poderei voltar a fazer o que está na minha natureza, na minha essência.

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